Os Manuais Escolares – Crónica de António Barreto

Os manuais escolares

 

 

Uma família de dois filhos gastou, em setembro deste ano, 685,68euro em livros obrigatórios e material. O do 5.º ano, 473,68euro. O do 3.º ano, 212,00euro.

Outra mãe de dois filhos deu-me informação pormenorizada sobre alguns manuais dos 7.º e 10.º anos. O mais barato custa 23,28euro e o mais caro 39,79euro. No total, uma verba acima dos 600,00euro.

Pensando no rendimento das famílias portuguesas, na necessidade de desenvolver a educação e no custo real da produção de livros, estes são preços absurdos.

Ao fim de trinta ou quarenta anos de leis, umas de direita, favoráveis à liberdade, outras de esquerda, orientados pela igualdade, temos preços de manuais obscenos. Mais caros do que livros de autores famosos com direitos de autor elevados…

Vejamos o que nos diz a teoria. Com a direita, a liberdade de escolha preside à nossa vida. A concorrência beneficia o consumidor. A mão invisível faz com que as distorções do mercado não desempenhem um pérfido papel. Na sua impiedade, o mercado eliminará a corrupção e a especulação. Com a liberdade, sei quais são os melhores manuais escolares para os meus filhos.

Com a esquerda, o Estado protector preside à nossa vida. O Estado regula o mercado e a minha escolha é informada. A autoridade democrática impõe preços razoáveis, zela pela igualdade, proíbe a corrupção e fomenta a qualidade técnica. Com o Estado, sei quais são os melhores manuais escolares para os meus filhos.

O que temos, num e noutro caso, são os manuais mais caros da Europa, pesados, luxuosos e efémeros. Não transitam de irmão para irmão, são impressos em papel muito caro e têm páginas inúteis em papel couché. Abundam em exercícios fúteis e fotografias ridículas. Muitos são de medíocre qualidade técnica e científica.

A produção de manuais escolares está nas mãos de um racket com mais poder do que o Estado e as famílias. Com mais força do que a esquerda e a direita.

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4 comentários

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    • Fafe on 9 de Novembro de 2015 at 21:41
    • Responder

    Não percebi o tal de “racket”, senão numa assunção de deficiência linguística – ou pela facilidade das coisas tipo “tipo”.

    • gerimbeco . on 9 de Novembro de 2015 at 21:43
    • Responder

    Concordo em absoluto com a ideia de que os manuais escolares são demasiados e demasiado caros. São, igualmente, mal construídos e pensados, muitas vezes por teóricos sem conhecimento da realidade. Raros são os manuais que permitem a sua utilização durante vários anos, não interessa às editoras.
    Mas, muitas famílias que se queixam desse facto, estoiram centenas de euros em bens de consumos dispensáveis e férias caras, não investindo na educação dos filhos. Claro que não são todos, mas muitos desse que se queixam, deviam ter prudência na gestão dos seus orçamentos.
    Também não concordo com a forma como a ação social escolar é materializada, porque casos em que os meninos beneficiam de apoio, enquanto chegam de carros de alta cilindrada à escola e usam telemóveis e roupas caras abundam pelo país.
    Depois, aqueles pobres coitados que não conseguem aldrabar o sistema, ficam sem ajuda!

      • Fafe on 9 de Novembro de 2015 at 22:15
      • Responder

      Concordo no problema dos “meninos”.

    • Fafe on 9 de Novembro de 2015 at 22:36
    • Responder

    Agora, quanto ao barreto, que culpa tenho eu de o geadas se apresentar como como um virtual Pacheco da família daquele pereira, ambos não foram vistos a fazer senão pela sobrevivência. Direi que vou dormir.

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