Vamos Imaginar que a BCE Possa Ser um Processo Sério

E que as escolas pretendam ser o mais corretas possíveis na ordenação dos candidatos.

 

Se em média 500 candidatos concorrerem a cada um dos grupos de recrutamento, e como existem 33 grupos de recrutamento teremos 16.500 candidaturas por escola.

 

E qual o tempo que as escola precisam para ordenar os candidatos?

 

Tendo em conta que as escolas TEIP e com Autonomia para além da graduação profissional que vale 50% apenas podem usar a avaliação curricular para completar os restantes 50%, no qual deve ser seguido o modelo de currículo definido pela escola, tendo como referência o modelo europeu. Isto quer dizer que cada escola poderá ter que analisar o currículo de 16.500 docentes para concluir a lista de ordenação da escola e no caso de empate ainda pode ser usada a entrevista ou outro critério que a escola considere pertinente, nos termos da lei, para desempatar os candidatos (mas vamos imaginar que não há qualquer empate).

Partindo do princípio que se demoraria apenas 1 minuto (isto seria o mínimo aceitável) a analisar o currículo de cada candidato então eram precisos 16.500 minutos para analisar todos os currículos, ou seja, 275 horas.

Se apenas um funcionário estivesse incumbido desta tarefa precisava de quase 7 semanas para analisar os currículos (num horário de 40 horas de trabalho) e de 8 semanas (num horário de 35 horas).

Pergunto, e isto serve para quê?

Há alguma escola que consiga tornar a BCE num processo sério?

 

Será que o MEC também quer implodir as escolas?

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14 comentários

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    • nero on 30 de Julho de 2014 at 13:56
    • Responder

    Belíssima reflexão.

  1. Fantástico Arlindo. Uma análise muito elucidativa. Mas meu caro, não vão ser precisos tantos minutos para analisar os CV´s porque eles vão diretamente recrutar/buscar os candidatos que lhes interessa (se é que me faço entender)…CUNHAS!

  2. Arlindo,

    muitas vezes me questiono quem são os génios que propõem tais aberrações e quais as sumidades que as aceitam e as concretizam. Será que é tudo incompetente e sem um mínimo de senso comum e respeito por quem de facto se sujeita a isto tudo???

    Há uns dias propuseste, em tom de brincadeira, tornar-te assessor deste MEC. Mas a verdade é que falta mesmo alguém que aconselhe e explique a esta gente o que anda a fazer. A assessoria oficial da FNE não tem funcionado, muito menos a dessa gente que pupula pelos corredores da DGAE apenas para mostrar serviço.

    Por isso proponha que encabeces uma frente de assessoria com uma proposta que seja de facto uma solução, por um lado, para todos os problemas “concursais” que vamos tendo ano após ano e por outro uma resposta aos princípios que devem nortear um qualquer procedimento de concurso público.

    Por exemplo, a propósito da BCE, sugiro que se definam 10 critérios fixos e objetivos, além da graduação profissional, para a avaliação curricular e que as escolas escolham, em tempo útil e de acordo com a sua “autonomia” e através de uma aplicação centralizada, os critérios e ponderações que acham que devem usar nos diferentes grupos de recrutamento. Depois, sugiro que no momento das candidaturas os professores sejam obrigados a preencher esses 10 critérios (a validar juntamente ccom a graduação profissional), independentemente das escolas que pretendam concorrer. Desta forma, na fase da manifestação de preferências, os candidatos apenas teriam que colocar as escolas a que pretendiam concorrer (independentemente de serem escolas com Autonomia, TEip ou normais) e aguardar que, de acordo com os critérios previamente definidos por cada escola, fossem colocados nos horários disponíveis. A aplicação poderia gerar para cada escola e grupo de recrutamento uma lista ordenada de candidatos.

    Além disso, sugiro também que se definam prazos concretos para cada fase do concurso e que se garanta que as regras e aplicações não mudem todos os anos.

    Vamos a isso?

      • Armagedão on 30 de Julho de 2014 at 14:55
      • Responder

      Boa, génio, sumidade, competente, a vender senso comum, na Feira da Ladra! Continua.

    • professor quando calha on 30 de Julho de 2014 at 14:25
    • Responder

    das duas uma…
    ou o processo de selecção vai ser tudo menos sério… e quem fez a legislação sabe disso mas não quer saber ou faz de conta que não sabe…ou até dá jeito que assim seja…
    ou a legislação foi feita por gente que vive fora da realidade da escola, que faz trabalho burocrático há muitos e muitos anos em estruturas várias do ministério… o que também é muito provável…
    agora uma pergunta muito ingénua…
    a legislação na área do ensino antes de aprovada e publicada, não é discutida com os sindicatos, directores de escolas, etc.?

  3. Arlindo, boas contas!
    Arlindo, existirá uma BCE por escola?
    Parece-me que tudo se ajeita para que a BCE seja movida por CUNHAS.

    • Armagedão on 30 de Julho de 2014 at 14:52
    • Responder

    Ó Arlindo, Arlindo!
    Então, “Se apenas um funcionário estivesse incumbido desta tarefa precisava de quase 7 semanas para analisar os currículos (num horário de 35 horas de trabalho) e de 8 semanas (num horário de 40 horas).”
    Sim, sim, já mudaste o post, aliás andas sempre nisso, és um cabecita no ar…

      • professor quando calha on 30 de Julho de 2014 at 15:29
      • Responder

      que vidinha desinteressante tem o funcionalismo público!
      Get a life, como dizem os franceses!

    • RMMCA on 30 de Julho de 2014 at 15:37
    • Responder

    Boa tarde a todos.

    Para a bolsa de contratação de escola foram validos 149 critérios pela DGAE. Todos eles têm subcritérios de resposta rápida, do tipo sim/ não ou escolher itens para quantos dias/anos de serviço tem naquele critério, por isso deve ser mais rápido seriar os colegas. Posteriormente é que se deve validar os dados indicados e deve ser o agrupamento/escola que valida, porque não estou a ver como vai ser possível validar antes. Ou seja vamos ter de estar muito atentos!

  4. Eu penso que a legislação foi feita para dar enquadramento legal à cunha. Assim, já ninguém vai poder argumentar que lhe passaram à frente, porque como vimos principalmente há dois anos os candidatos menos graduados eram os selecionados. A IGEC fica alivida de tanta reclamação e deixa de haver contratos anulados que depois podem ser renovados.
    Se o MEC esteve bem e implementou medidas para acelerar o processo de seleção, como o facto dos candidatos não poderem recusarem o contrato, aqui esteve mal ao acabar com as tranches de 5. A acabar só poderia ser para substituir pela graduação profissional a valer 100%.

  5. Este processo não tem pernas para andar, pelo menos fazendo as coisas com profissionalismo e honestidade, a centralização total dos concursos é a solução. As reclamações serão aos milhares, entupirão o ministério.

    • Paulo Gonçalves on 30 de Julho de 2014 at 19:24
    • Responder

    Essa validação na plataforma Sigo é que infelizmente é muito demorada, ao ponto de colegas serem colocados em DACL por cursos não estarem aprovados na plataforma, lamentável, depois de colocados vem a dita aprovação mas já estamos a leccionar noutras escolas…

    • alguém on 30 de Julho de 2014 at 23:23
    • Responder

    Preocupante é o número de escolas TEIP e Autonomia!!! Não podendo rescindir o 1º contrato, os mais graduados vão para longe e quem fica nas TEIP e autonomia são os menos graduados. Não é justo que nos impeçam de concorrer neste momento também a estas escolas.

    1. Consulte a lei dos concursos ( A de 2012 e a 2014 ) artigo 44 …Qual a sua interpretação?

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