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Dez 18 2013

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Conclusões da PACC por Carlos Plágio

… e retiradas deste comentário.

 

Algumas conclusões:
 
– 31% dos itens pretensamente dedicados à “capacidade” de interpretação, mas desenvolvidos em questionários muito mal elaborados, com a apresentação de hipóteses semanticamente muito próximas e suscitadoras de dúvidas. A escolha dos textos foi globalmente infeliz, sobretudo no caso do primeiro, de fraca qualidade literária, opaco e carregado de um simbolismo que, por si só, poderá ter perturbado, à partida, o estado emocional de quem teve de fazer a prova.
 
– 69% de perguntas da área da matemática e das ciências exatas, com o regresso dos famosos carrinhos em périplos inclinados (dejà vu… faltaram apenas as alavancas e roldanas da FQ da nossa juventude…). Tudo tarefas que, hoje em dia, se fazem com recurso a meio informáticos. E que qualquer professor minimamente dotado resolve (e bem) dessa forma, gerindo tempo e recursos. Com a agravante de serem apresentados os problemas em enunciados pouco claros e (obviamente) longos e confusos.
 
– Claro que fazer horários (letivos ou de passeios à praia) e conjugar ementas, assim como reconhecer fachadas, são competências imprescindíveis a quem queira dar boas aulas…
 
– Nítida obsessão pelos números, pelos gráficos, pelas contas… Muito mais discreta a capacidade de a própria prova provar a capacidade de leitura de um texto do domínio educativo e transacional, com que a generalidade dos docentes trabalha habitualmente. Nada de pontuação nem de ortografia. A partir de agora, o importante é incluir provérbios (medievais, atenção!) e expressões idiomáticas com valor conotativo nas atas.
 
– Flagrante desproporção entre o tempo dispensado para a resolução da prova e o tempo exigido por cada uma das perguntas para a sua resposta, como se esperava.
 
– Sintomática escolha de uma citação de António Nóvoa…
 
Em breve conclusão, a loucura no seu melhor… Ou mais uma manifestação dela.
 
Dia infeliz o de hoje.

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Comentários

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  • Susana Carvalho

    Análise brilhante!!
  • PL

    Esta palhaçada não pode continuar!

    D E M I S S Ã O. JÁ!!!

  • André

    Uma das análises mais válidas e felizes neste blog! Já a partilhei… mais útil do que a de muitos sindicatos juntos, pertença o autor a X, Y ou … Z!
  • sasso

    não podia estar mais de acordo
  • Maria S.

    Embora concorde com a justeza da maioria das observações creio que dizer que Nuno Bragança – autor do 1º texto – tem ” fraca qualidade literária,” e é “opaco” é, no mínimo, abusivo.
    Para além de ter sido colaborador do Jornal do Fundão e crítico de cinema, co-fundo a revista O Tempo e o Modo, escreveu A Noite e o Riso e Directa. É um dos grandes autores do séc XX, revolucionou a escrita, afastou-se do neo-realismo. É um autor decisivo da literatura portuguesa.
    Colocar um texto seu – e outro de António Nóvoa – nesta nódoa de prova é também um abuso e uma afronta.
    • Sara

      Minha senhora, se reparar bem, a fraca qualidade literária foi apontada ao texto selecionado e não ao autor em si. Compreendo que goste muito dele, mas só um cego é que não concorda que o texto é muito fraquinho como exemplo literário.
      • Maria S.

        Olhe que não, olhe que não …
  • Ana

    Concordo com a generalidade do comentário. Discordo da parte em que se diz que há uma nítida obsessão pelos números, gráficos, etc. Se 69% da escolha múltipla recai sobre esta área, então 31% recai sobre a área do português. Assim sendo, 31%+20% (do texto)=51%. Parece-me, neste sentido, equilibrada. Também não achei assim tão grande. Algumas questões de escolha múltipla são de resposta imediata. Mas os enunciados são propositadamente ardilosos…

  • eu só sei que peguei na prova e as lágrimas corriam-me pelos olhos… parecia que estava mesmo nitidamente a mandar-nos emigrar. Mais à frente aparece uma elucidação em como os nossos idosos passam muito tempo VIVOS. Pedir-nos para comparar idades de reforma e média de esperança de vida. Achei também respostas muito muito semelhantes que poderiam ser aceitáveis. E aqueles provérvios!!!! São da mesmo da idade média. Não havia um que eu reconhecesse do meu tempo de aluna.
  • Sérgio Monteiro

    Não concordo com a prova neste moldes, mas fazer uma análise destas revela não se compreender o alcance e o sentido das questões… É com análises destas e com alguns comentários que se ouviram ontem de professores nas televisões (por exemplo, sou de português, não preciso de matemática…) que damos tiros nos próprios pés e o ministro ganha razão junto da opinião pública.
  • maria

    Não acredito que a educadora de infância para ser boa profissional precise de saber resolver problemas de combinatória e custa-me pensar que pessoas competentes e que trabalham há anos para o ensino publico português possam ser impedidos de continuar a trabalhar por não passarem numa prova que é elaborada para afastar do ensino os professores de uma forma injusta, como se viu nestas provas. Já fiz testes “psicotécnicos” para o privado e éramos de áreas completamente diferentes e não achei que nos exercícios propostos criasse injustiças a quem o resolvia. É óbvio que um professor de português pode ser bom ou até muito bom e não vejo porquê que também tem de saber resolver problemas de matemática de secundário…o professor de matemática sim. Mas já se sabia que esta Prova estava elaborada para Não aprovar cerca de 85%, por isso não é surpresa nenhuma os critérios utilizados.
    • Ana

      Não há na prova nenhum problema de matemática do secundário. E também não é necessário usar cálculo combinatório ou qualquer coisa mais complicada. Pode-se fazer tudo com lógica e aritmética simples. Se reprovar mais de 85%…. se calhar é mesmo preciso fazê-la. Sempre fui contra porque acho uma estupidez que um profissional deixe de trabalhar por lhe ter corrido mal 2 h da sua vida. Podem ser nervos, pode ser revolta, qualquer coisa. Agora dizer, à posteriori, que tinha uma matemática muito complicada…. por favor. Os professores têm de saber pensar, ou não? Até os de português. Como os de matemática têm de saber ler, escrever e interpretar… e estão sempre a levar na cabeça quando alguma coisa não corre bem. A prova estava mal elaborada, mas o grau de dificuldade era baixo.
      • maria

        Já resolvi a Prova, excepto a composição, e de facto resolve-se sem qualquer recurso a cálculo combinatório, na questão das refeições e tem razão o grau de dificuldade era baixo. Mas então esta prova serve mesmo para quê? o Ministro acha que os professores como quaisquer outros licenciados concluíram os 12 anos de ensino obrigatório e frequentaram ESES e Faculdades e não conseguem resolver estes exercícios??? Ainda fico mais espantada que o Ministro pense que o ensino superior português seja assim tão mau!
  • teresa

    Esta análise está excelente, só falta acrescentar que sempre me ensinaram que as perguntam não devem ser encadeadas. Isto porque basta não sabermos fazer uma para depois não fazermos as outras foi o que aconteceu por exemplo com a pergunta do elevador. Esta prova é uma palhaçada.
    • Ana

      Depende-se do que se queira avaliar e como se queira avaliar. As questões podem e, muitas vezes, devem ser encadeadas. Depende do nível de proficiência que se queira introduzir. É muito utilizado no ensino secundário e, pelo menos no meu curso, uma constante na universidade. E uso algumas vezes no básico… Aqui deve ter sido propositado.
      • Ana

        *depende
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