1045 Professores Para um Horário de um Mês

Deixo aqui disponibilizada uma lista ordenada de candidatos admitidos a um horário de contratação de escola para o grupo 110 numa escola de uma vila do Norte do pais. A esta escola candidatarm-se 1045 professores tendo sido admitidos a concurso 1029.

Esta situação demonstra claramente o erro que tem sido seguido nas últimas décadas com a formação de professores e com as expectativas que foram criadas em milhares de jovens portugueses.

É um luxo que para um horário de trabalho de “um mês” possam existir mais de mil candidatos altamente qualificados a concorrer, em mais nenhum lugar do mundo isto deve acontecer.

Não querendo entrar em grandes polémicas acho que alguma coisa tem de ser feita nos próximos tempos. A primeira consiste em impedir de forma temporária qualquer acumulação de horários, a segunda medida seria aumentar a fiscalização dos centros de estudos de forma a que os profissionais que ai trabalhem não estejam a acumular vencimentos do ensino público com esses “biscates” e a terceira medida é reorientar a formação dos professores de determinados grupos de docência com excedentes de formação para outros grupos disciplinares.

Se nada disto for feito o que se gastou com a qualificação de milhares de jovens será desperdiçado e dentro de alguns anos terá de ser gasto o dobro do dinheiro para qualificar novos professores.

 

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4 comentários

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    • JC Narciso on 16 de Fevereiro de 2012 at 17:26
    • Responder

    Os cursos da Educação devem todos fechar. As Universidades e os Politécnicos teriam assim pelo menos um ano e meio (durante o subsídio de desemprego para onde iriam os seus funcionários) para se reorganizarem e estarem a postos para o regresso. Todos os professores com mais de 15 anos de serviço seriam já inseridos nos quadros, sem concurso, para assim assumirem também no papel a igualdade em relação aos seus já «colegas».

    • Revoltado on 16 de Fevereiro de 2012 at 18:51
    • Responder

    Concordo com o fecho da maioria dos cursos em educação, pelo menos temporariamente. Infelizmente, o que está a acontecer é o inverso. Parece que poucas pessoas se deram conta que quem leciona Português, Matemática, Ciências, História e Geografia no 2.º ciclo com apenas uma licenciatura mais cedo ou mais tarde terá de realizar o mestrado em ensino no 1.º e 2.º ciclos, sobretudo quem é contratado e possui uma graduação abaixo de 18. O que acontece é que estão a sair professores (mal) formados em Bolonha com notas altíssimas que estão a tirar lugar a professores que estão no ensino há muitos anos a tentar acumular tempo de serviço para conseguir uma boa graduação. isto acontece porque no tempo em que estes docentes se licenciaram as universidades raramente atribuiam uma classificação de 15 valores quanto mais de 18. Por isso, quem há 7 anos se licenciou com um 14 e foi acumulando tempo de serviço até chegar a uma graduação de 18, vê, hoje, professores com zero tempo de serviço a aceder ao ensino.
    Este tipo de mestrados só vai diminuir a qualidade do ensino em Portugal. Veja-se o exemplo do mestrado em História e Geografia no 3.º ciclo: um professor que se licenciou em Geografia tira o dito mestrado e fica habilitado a dar História! (o inverso também acontece). Deste modo, todos os professores que possuem uma licenciatura em História 3.º Ciclo terão de tirar este mestrado sob pena de serem ultrapassados por um professor que está, a meu ver, menos habilitado, lecionar esta disciplina. E quem, para além de uma licenciatura em História possui uma pós-graduação fica igualmente para trás.
    Voltando à qualidade no ensino, pelo que tenho presenciado por todas as universidades pelas quais passei e não foram poucas são imensos os alunos (senão mesmo a maioria) que conseguem formar-se à custa de cábulas. Nas universidades o controle é quase nulo. Por isso, desculpem o meu desabafo, sou a favor que haja exames rigorosos a quem acede ao ensino superior e à docência. Neste último caso seria uma forma de controlar a qualidade do ensino ministrado nas Universidades. Devo informar que nunca fiz cábulas, sou professor contratado e estou no desemprego.
    Muito sinceramente, acredito que estes novos mestrados em ensino pretendem obrigar os professores a voltar às universidades, não para trazer mais qualidade de ensino às escolas (pois isso não vai de certeza acontecer) mas para evitar o desemprego dos professores universitários (parentes de quem está no poder).
    Peço desculpa se feri a sensibilidade de alguém. Apenas dei a minha opinião.

      • Margarida420 on 17 de Fevereiro de 2012 at 3:53
      • Responder

      Quando tirei a minha licenciatura era de cinco anos (portanto nada de Bolonha nem Faculdade Particular, tive nota para a Pública). Em seguida, um ano em Ramo Educacional Via ensino (na Faculdade) e outro em estágio a sério com seminário. Portanto, o investimento foi de facto elevado mas a nota foi inferior a 15, (nessa altura as avaliações na Faculdade eram suadas e muito). Portanto, o Revoltado tem alguma razão, porém depois de tudo isto mais os anos de serviço sermos AÍNDA sujeitos a um EXAME não considero justo. Com 14 anos e mais não será que já demos provas ao MEC que de fato que por amor a camisola aínda estamos dispostos a ENSINAR???

    • sandra s. on 16 de Fevereiro de 2012 at 21:30
    • Responder

    Fechar politécnicos e universidades??????? Isso jamais acontecerá. E para onde é que vão os políticos quando o seu mandato acabar ou quando forem derrotados nas urnas???????
    Não há nenhuma preocupação por parte do ensino superior com o emprego/desemprego dos alunos que sustentam e/ou sustentaram esse mesmo ensino. A preocupação reside em manter “os tachos” de quem temporariamente nos governa. O sistema auto protege o poder e quem dele beneficia ou beneficiou e os alunos que se desenrasquem. É preciso não esquecer que uma boa parte destes alunos que jamais conseguirá exercer a atividade da sua formação nem sequer consegue pagar os empréstimos que contraíram para pagar os seus estudos.

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